Blog

Destaques

CAQUINHOS

Compartilhe:

Share on facebook
Share on linkedin
Share on whatsapp

Se você já circulou pelos bairros mais tradicionais de São Paulo ou do ABC Paulista, com certeza já se deparou com o revestimento de caquinhos para pisos.

O chão revestido de caquinhos de cerâmica vermelho terra com pontos de caquinho preto e amarelo salteados fazem parte das memórias de vários moradores e foi um marco na decoração das casas paulistas da época.

Mais nostálgico que o charmoso caquinho, é a história que está por trás desse revestimento que marcou algumas gerações. Tendo como base a história contada pelo engenheiro Manoel Botelho, vamos entender como o caquinho se tornou uma febre que durou algumas décadas.

Em meados das décadas de 40 e 50, São Paulo possuía duas grandes indústrias de cerâmica. A mais importante para nessa história é a Cerâmica São Caetano, no ABC Paulista, que chegou na cidade em 1913, e por anos, foi referência em produção de telhas, tijolos e ladrilhos.

A relevância da fábrica foi tão grande, que até hoje o bairro onde a fábrica foi instalada leva o nome de “espaço cerâmica” e é um dos mais valorizados da cidade de São Caetano do Sul.

Um dos produtos mais populares dessas indústrias era um tipo de lajota cerâmica quadrada (com cerca de 20x20cm), composta por quatro quadrados iguais, também existia uma grande demanda pelo formato retangular 15 x 7,5cm que era paginada em “tijolado” ou ainda um modelo hexagonal. Inicialmente, elas eram produzidas nas cores vermelha – que era a mais comum e mais barata -, preta e amarela.

Essas lajotas eram comumente utilizadas em pisos de comércios ou em casas de classe média. Na época, os lotes dos operários possuíam de 10x30m ou, no mínimo, 8 x 25m – o dinheiro era escasso e os pisos eram em sua grande maioria cimentados, cinzas e monótonos.

No entanto, naquela época, durante o processo de fabricação industrial das peças, aconteciam muitas quebras das lajotas – e esse material quebrado era deliberadamente descartado pela fábrica. Eram caminhões carregados que transportavam os descartes para um terreno abandonado para serem enterrados.

Até que um dia, um funcionário da empresa que terminava a reforma de sua casa e não possuía dinheiro para revestir seu piso, lembrou das lajotas quebradas e dispensadas. O operário pediu que pudesse reunir parte do das sobras e usar em sua reforma – a empresa topou e ainda forneceu transporte gratuito dos restos de cerâmica, já que economizaria dinheiro se não houvesse tanto descarte para enterrar.

A remessa recebida pelo operário possuía predominantemente peças vermelhas, mas haviam algumas amarelas e pretas também. No momento de assentar, o empregado não descartou as peças de outras cores – misturou o preto e o amarelo no revestimento para quebrar monotonia do vermelho terra.

O charme da entrada da casa do operário gerou burburinho entre os vizinhos e muitos elogios. Assim, rapidamente, a moda se espalhou pelo bairro e até jornais da época noticiaram a nova febre de revestimento que se espalhava por São Paulo.

A partir daí, classes mais altas também passaram a aderir a nova mania e as indústrias de cerâmica viram na popularização dos caquinhos uma fonte de lucro e começaram a vender – obviamente, a preços acessíveis – os cacos de cerâmica. O custo do metro quadrado do caquinho cerâmico era 30% do valor de um caco íntegro.

Até este ponto, a história faz sentido e não há nada de muito surpreendente ou inacreditável na popularização dos caquinhos. Mas o improvável aconteceu: a demanda pelo revestimento cresceu tanto que começou a faltar cacos de cerâmica no mercado – para não comprometer as vendas, a própria empresa passou a quebrar as lajotas inteiras. O mais curioso ainda é que, anos depois, chegou no ponto em que o refugo passou a ser mais caro do que a cerâmica íntegra.

Mas os caquinhos de cerâmica foram embora por volta dos anos 70, a classe média, que foi a maior responsável pela popularização do revestimento, passou a se mudar para condomínios e prédios – por isso, pararam de fazer uso dos cacos, que foi caindo em desuso

gradualmente.

Se você ficou com saudade dos pisos de caquinhos ou você se apaixonou pela história e quer investir no visual retro fique atento aos lançamentos da SPCON, nós valorizamos a história do Brasil e dos nossos materiais, por isso em nossas obras optamos sempre em seguir uma arquitetura com traço, conceito, revestimentos e matérias da nossa origem, para que a história da arquitetura nacional continue viva não apenas em nossas memorias, mas também no nosso dia a dia.